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segunda-feira, 5 de junho de 2017

noturno

Meus olhos taciturnos
Mesmo assim acedem algumas
Estrelas
Acendem caldas de alguns cometas
Vagas-lumes
Neste caminho tenebroso
Noturno
Com meu fósforo acendo
Um poema do velho poeta de Russas
E assim a noite me leva
A nenhum lugar algum
A vida dilacera minhas artérias
Mas meu coração bebe os orvalhos
Das flores sem nomes
Cai uma tênue garoa
E eu recito um Byron
Uma ruma e insetos fazem
A orquestra
Meus olhos que nunca foram
Meus
Foram dos cogumelos encantados
Das flores proibidas
Agora são lentes implantadas
Mas estão cheios de lembranças
Paixões
Absintos
Doces pontiagudos
Mas agora enxergam a escuridão
Meu coração palpita
E grita para os corvos
Que sou um espantalho
Mas trabalho cada grão
Do poema
E com minha foice
Corto as dificuldades da vida
E planto crisântemos e margaridas
Para agradecer a terra
Agora vou esperar o sol
E o bem-te-vi
Depois vou dormir na minha
Poltrona com os percevejos


4 comentários:

  1. Poeta de plumas versáteis

    Esse poeta de certo olhar taciturno
    O qual, de vaga-lumes entende bastante
    Como sendo distinto menestrel noturno
    Brinda-nos com reverberação cantante.

    Viajando de cometa a lugar algum
    Bebe, incontinenti, as gotas de orvalho
    Com as quais faz este poema incomum
    Que, sinceramente, entendo ou encolho.

    Luiz Alfreto com seus insetos em ruma
    Vai contando as tantas estrelas perdidas
    Enquanto tenazmente lambe, uma a uma

    Tem cogumelos de sensações proibidas
    Os quais revelam seus pensamentos de pluma
    Que, à sua, adicionam muitas vidas.

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  2. Saudades de vir aqui.
    Lindo demais!

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  3. Caro poeta Alfredo, plantar crisântemos e margaridas é uma boa pedida, sobretudo, nesta época de turbulências.
    Um abraço daqui do sul. Tenhas uma boa noite.

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  4. Sempre grande, sempre extraordinário, sempre Poeta!!Abraço!!

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