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sábado, 31 de maio de 2014

Boca da Noite





A noite vem com os seus pássaros
Seus mistérios
E seu luar
Suas estrelas reluzentes
Cadentes
Algumas apenas luzes
Que viajam trazendo as lembranças
O que a morte não conseguiu apagar

Mas a noite é bela
E com seus lábios sedutores
Começa a murmurar poemas
Versos recitados com sua boca
Da noite
Que começo a escrever num açoite
Em guardanapos
Pedaços de papeis
Nas tabernas empórios boites
Bordeis 

Às vezes os ciciar dos grilos
E das cigarras
Misturam-se com as palavras
Declamadas
E eu não consigo escutar
Soam meio confusas
Misturadas
Acabo inventando metáforas
E muitas vezes uma sinédoque

E pontuando com pingos
Amalgamas dos vaga-lumes
Filamentos de bulbos pálidos
Romanticamente amarelados
Que caem feitos polens
Madrugados
Poemas trêmulos
Recitado
Da boca da noite
Calidamente murmurados...


                Luiz Alfredo - poeta





sexta-feira, 30 de maio de 2014

PATATIVA DO ASSARÉ -- AVE POESIA




Meu poeta e professor
Pena que não tive a capacidade
Pra aprender escrever
Como se faz poema
Pois não nasci poeta
Nem cantador
Nem estender sob o céu
Poesias de cordel

Mas gravei alguns dos teus versos
No meu coração
Poeta que escreve versos
Com a enxada
E com estrofes gravadas
Com belos acordes no violão

Não nasceu ave
Mas tinha nome de patativa
Enterrava maniva na terra
E extraia versos do peito
Escrevendo com a garganta
Com belos gorjeios
A vida de um sertanejo
Que cantava cá
É meu poeta como aquele
Lá das bandas do tejo





domingo, 25 de maio de 2014

Quimeras



Vivi por muitos anos
Com a mulher das minhas ilusões
Bebendo orvalhos das papoulas
E das plantas proibidas
Destiladas pelas madrugadas

Plantando versos nas calçadas
Enluaradas
Atrapalhando a aurora de nascer
Com nossos beijos
E poemas declamados

Comíamos pedaços da lua
E fragmentos de chocolates
Com as pálpebras encharcadas
De poemas
Sangrávamos os dedos nas teclas
Negras numa Royal
E nas cordas de um rouco violão

Apagávamos as lâmpadas
Com nossos olhos sonolentos
E nos amávamos até o amanhecer
Do dia
Depois que a última mariposa
Transcendia
E a cafeteira já recendia seu hálito
De café
Morríamos de sono

Mas veio o tempo em se acabaram
As ilusões
A mulher dos meus sonhos
Foi viver suas lendas numa terra
Longínqua
E eu fui dar aula de metafísica
Numa faculdade particular

O que ficou daqueles tempos
Foram as rimas mal contadas
De alguns poemas
Jogados na gaveta
E o violão calado no sótão
E quando caminho à noite
Ainda dialogo com os vaga-lumes
E a chama azul da lamparina
Lembra-me a sombra dos olhos
Dela


                        Luiz Alfredo - poeta

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Lumes Difusos



Oh! Noite me diga na sua profunda
Escuridão
Pois sou um homem de meia
Idade
Com algumas pedras na visão
E meus óculos estão arranhados
Pela vida

Estes pontos brilhantes na imensidão
São vaga-lumes
Ou galáxias

E quem são estas mariposas
Que vem nas noites enluaradas
Beber as chamas azuis
Da minha lamparina
Fazendo sombras nas rimas
Dos meus pobres sonetos

Por que minha vida se passa
Nesta taberna
Sobre esta mesa rústica
Uma lapiseira bebendo versos
Num tinteiro
Uma cigarreira de prata amassada
Que guarda meus sentimentos
Uma janela molhada de neblina
Por onde escuto os grilos
Intermitentes
E procuro dialogar com as estrelas


                          Luiz Alfredo - poeta


domingo, 18 de maio de 2014

Uma Abelhinha chamada Be


Be era o nome de uma abelhinha
Da colméia 4:20
Da fazenda Locos Delirius”
Ali tudo que se plantava dava
Apenas a pimenta fuelgo bravo
Não conseguia pegar
Ademais, tudo ali era verdejante
Repletos de flores coloridas
Que viravam méis saborosos
E medicinais

A mãe da abelha Be ficava preocupada
Com ele
Que tinha a mania de excitar os zangões
Proletários
E explorados sexualmente pela rainha
A revolução
E gostava de namorar flores proibidas
E beber seus néctares com narcóticos
E levava para uma ala marginal da colméia
Para fazer um mel mui loco
E amava comer seu vapor adocicado

A mãe dele sempre dizia a Be
Que ao fazer sua autobiografia
Deve saber que seu nome era da gramática
De babel
Be era quase abelha quase cerveja
E era o verbo ser do inglês
Quase uma nota musical
Quase duas vezes no português
No sonido
Mas era mesmo um derivado de Bee
Abelha
E era na realidade a segunda silaba
Da palavra abelha em português

Mas o que importa era que Be
Era feliz
E gostava de voar no conceito
De liberdade e no céu azul
E oscular as lindas flores dos jardins
da Hiléia cerrado e pantanal
Sua mãe lhe falava cuidado
Com as venenosas
As carnívoras são perfumadas
Mas fatais

Mas Be era desobediente
Melífero
Amava beijar aquela flor
Proibida pelo código penal
E pela anvisa
E escrever poemas marginais
Nas pétalas das flores
E haicais nos nenúfares do lago
Lodoso
E até hoje nunca encontrei alguém
Que me diga
O que dizia pra a flor
Da Cannabis Sativa...




                      Luiz Alfredo - poeta

Fagner - Amigos e Canções Ao Vivo - Completo



No amor sempre estamos
Mendigando
Precisando da atenção
Outro
Sua compreensão
Sua atenção

Suas palavras de carinho
Ditas suavemente
Na hora certa
Seu olhar
Seu chá
Sua massagem
Um leite quente com torradas
Com geléia selvagem
De framboesa

Vestida como uma marquesa
Com seu colar de turquesa
Gestos medidos
Movimentos comedidos
Em vestes finas
Que revelam em linhos transparentes
E finos
Lindas mamas exalando via-láctea
Em constelações de doces estrelas
Exalando caramelos

Queremos do outro
A paixão desvairada
Alucinada desmedida
Os beijos as mordidas
Os sussurros esturros de prazer
Queremos beber a louca boca
A paixão no seu umbigo
Seus beijos entorpecidos
De paixão
O profundo prazer
Até a profunda exaustão
Queremos deixar os lençóis
Feridos
Os travesseiros combalidos

E o outro com sua gramática
Sua visão da aurora
Suas lendas
A canção do seu pássaro
Interior
Onde fica sua Pasárgada
Onde guarda o seu diário
Seus verdadeiros versos de amor
Como escreve no mundo
Com seu olhar metafísico
Suas impressões
Suas interrogações ontológicas
Quem é ela além do seu nome
Seu verdadeiro número
Pitagórico
Não da sua identidade

Como ela é quando vai dormir
E tira seus jeans
Sua maquiagem
Onde guarda as suas máscaras
O crepúsculo dos seus batons
Como pronuncia sua oração
Seu gole no leite morno
A ração do seu gatinho
No pires
O beta no aquário
O rápido olhar no seu livro
De cabeceira
Seus sonhos

Ela também é um ser
E comigo é apenas um momento
uns breves momentos
em que apenas dialoga 
num dos seus dialetos
Mas na vida ela está na eternidade...


                                         Luiz Alfredo - poeta



terça-feira, 13 de maio de 2014

Levando a Vida numa Kombi



Um pouco de mar
e sol ardente
uma aguardente com limão
um poema caliente
balbuciando uma canção
dedilhando o antigo amigo violão
Solamente

Um aroma da flor de maracujá
vou levando a vida
Na margarida
Numa rosa
Num sonho de valsa
Um Noel Rosa
numa boa

Escutando um bem-te-vi
Um sanhaçu
Um sabiá logo ali
um K-7 no toca fita
rola a Rita do Chico
Logo mais um blues
Uma bossa

Vou levando a vida
numa Kombi 
não arrisco
faz bem a saúde...

         

                  Luiz Alfredo - poeta