Seguidores

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Esquinas de PV


Cuidado que naquela esquina
Tem o sorriso da mina
Bela e traquina
A ladeira que me leva pro lado
De cima
A avenida que nunca termina
Os versos recitados cantados
Pichados
Do Binho
Bahia
E do Mado...
Tem o tacacá com murupi
Jambu e tucupi
O Bairro Caiari
Tucumã
A vila Tupi
O bardo Tupinambá
O bando alvoroçado de araras
E o balé das andorinhas
O emoliente dormente caliente
Tacacá
Os acordes dolentes do Bado
A cá saudade do sanhaçu
Peito-roxo
O canto da sabiá
Azulão sanhaçu
O doce de cupuaçu
O arrulho do nambu
Do jardim de bambu
Ipê roxo
O canto da juriti
O campo úmido de buriti
Saudades de ti
Meu Porto Velho
Maria Fumaça
Que vem e que passa
Para Guajará-Mirim
Ai de mim
Pobre poeta no vão
De galáxias
Uma crônica do Basinho
Uma música do Laio
Um barzinho
A branquinha tatuzinho
De soslaio olho este arrebol
Do mirante
Por um instante o sol de Calama
Aquela cunhã
A sapecada curimatã
afã
O translúcido esverdeado lago
Do cuniã
Trago o sonho da doida manhã
Rede de tucum
Enrolando um
Um té de mate
De arremate uma pamonha
Uma...
Torradas com geléia de avelã
Cuia de açaí patuá
Pupunha e tucumã
Ainda não sei viver sem você
Minha PV...
Nem sei quando ainda
Vou te ver
Mas levo tuas lembranças
No meu melancólico coração
Alto do Bode
Vê se pode
Baixa da União
Ramal São Domingos
Cai n’água
Rua do Coqueiro
Três bueiros
Rio Madeira
Mucambo
Travessa Mamoré
Igarapé Grande
Triangulo muito blues
Carimbos boleros mambos
Biribas jambos
Sonho Azul

E no meu doce viver...
Vou levando você







quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Lembranças Líricas






Bilac das janelas falando com as estrelas
Castro Alves ouve as o sangrento oceano
Gregório ri e debocha do império insano
Andando na corte e fazendo versos pra elas

Álvares de Azevedo tal amor é engano
Insone sonha com a irmã e com as donzelas
Apaixonado embriagado bardo profano
Musas imaginárias pálidas singelas

Casimiro de Abreu curumim leviano
Junqueira Freire amando ávido pensa nelas
Sou andarilho levando este meu alude cigano

Antigas cantigas andanças e quirelas
Aguardentes absinto conhaque e cinzano
Perambulando breus asfaltos paralelas

                   Luiz Alfredo - poeta





quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

...


Um soneto sem rima
Sem métrica irregular
Concreto ainda por cima
Metafísico a pensar

Unicórnio sem crina
Hipocampo a cavalgar
Lusitano sua sina
Além do rio e verde mar

Declamado por cima
Latinizado bardo ioruba
Antiga torre em ruína

Português a declinar
Trazendo de lá pra cá
Comungando um tacacá

                       Luiz Alfredo - poeta






domingo, 23 de setembro de 2018

https://mail.google.com/mail/u/0?ui=2&ik=5d207ee686&attid=0.1&permmsgid=msg-f:1612176478937782121&th=165f99f746539769&view=att&disp=safe&realattid=165f99f885fc0ac33c01

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

....

eu bebo na cuia tupi
algumas palavras
engulo um larva
e vomito uma borboleta
o céu azul
as nuvens brancas
e um soneto de Espanca
e o bramido e a maresia
de verde mar de Alencar
as velas do Mucuripe acendem o sol
alçam seu lençol
e vão pescar
depois voltam cherios
de sonhos

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

sonetos ao acordar


Nem bem amanhecia o dia
A cotovia assobia ainda na maresia
Os filamentos em passamentos
Meu coração dormia

Meu poema debaixo do abajur
Faltavam alguns versos
Eu não sabia o que dizia
Ouvia-se o canto da nambu

Meu olhar abúlico se abria
O luar ambarino desaparecia
Na cômoda um profundo haicu

Eu nem sabia nada do que lia
O céu começava a ficar azul
Entre as frestas da janela eu via


                            Luiz Alfredo - poeta





quarta-feira, 30 de maio de 2018

Livia


Um poema para Lívia  
                                      Im memorian: Lívia
                                    Epitáfio:
                                                   uma flor de infinita beleza
                                                   que durou brevemente

Jaz ali
O canto do bem-te-vi
Parou de cantar
A flor
Deixou as pétalas em devaneios
Atordoadas ao vento
Ao tempo
A primavera atordoada
O colibri não a osculou
Mas continuou bela
Fazendo as lágrimas rolarem
Nas nossas faces pálidas
Mãos trêmulas vacilarem
Nossa mente confusa
Que não entendem muito
De transcendência
Desta bela menina ali de cílios
Cerrados
Para o azul do céu
Coisas que acontecem
E nos desmontam
Como um enigmático
Drama
Um poema sem fim
Uma flor tão pequena
Num imenso jardim
Uma vida tão breve
Mais grandiosa intensa
Enfim
As estrelas te contaram
Historinhas
O luar será teu cobertor
A via láctea de amamentará
Os cometas continuaram riscando
As noites
Caindo no mar
Tua mãe te guardará na lembrança
Eu no meu olhar
Nos pobres versos do meu poemar
No seu ventre
No seu coração de amor
Mas o redentor te ressuscitará
Para que teus olhos possam contemplar
Sua glória
Como a vida pode ser
Apenas um pequeno momento
Um instante
Um batimento
Fugaz
Jaz
Mas que faz
Assaz
Uma cicatriz
E por um triz
Quis que tua vida
Uma flor de Liz
Sei nada balbuciar
Nós deixar abrupta
Mas escreveu um diário
Que nunca será olvidado
Por este pobre bardo
Por teus genitores
Nas orações
Nas dores do coração
De sua avó
Estás nos braços de Deus
E no reino de Jesus
Crianças sem pecado
Passam pelo buraco da agulha
Como uma luz
Entram nos reinos dos céus
Deixando em nos tua eterna
Lembrança
Sem nenhuma palavra
Disse muitas coisas pra mim


                  Luiz Alfredo - poeta