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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Flor do meu Sertão



Sem os poemas do Patativa
Do Assaré
A margarida despetalada
Balbuciando na última pétala
Em cima de uma poesia
De Florbela
Que ela não me ama
O que será de mim
Sem ela
O luar do sertão ainda
É lindo
A rosa Amélia é bela
E floriu no vaso da janela
Meu coração agora é um soneto
De Vespasiano Ramos
Declamando saudades
Minhas mágoas

No Cai N’ água

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Tudo Mudo



                                                        Te hamei
                                     Está certo
                                     Tudo foi um haga
                                     Aquele soneto apaixonado
                                     Aquele bocado de rosas
                                     Aquele vinil
                                     Foi só de H

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Dioneia


O arco-íris que ganhei
Dos olhos dela
Eu os perdi quando a beijei
E ela fechou as pálpebras
E entrelaçou os cílios
Como uma Dioneia

Tudo que passei a ver
Foi um labirinto de cores
Impronunciáveis
Um caleidoscópio despedaçado
Quando fechei os meus
Ainda bem que o recuperei
Quando os abri
Ele estava numa lágrima pendida

Numa gota de orvalhos na pétala
De uma rosa
Na fluorescência de um cogumelo
Que brotou no mugido da vaca
Num verso de Apollinaire


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Hermética gota


Na pétala de uma flor desliza
Uma gota de orvalho cristalina
Uma nota musical
Repleta de um quântico arco-íris
A rosa também chora
E na sua tez desliza uma gota
De lágrima

A dialética é uma ciência
Que não foi toda desvendada
Por isso acho estupendo uma gota
De orvalho escorrendo
Numa flor num galho
Um corvo olha de soslaio
E aquele raio ultra-romântico
Do ambarino luar
A gotícula prismática tem seu último
Ato
No palco da vida

Mas não pense que a gota morre
Não
Ela se divide em múltiplas gotinhas
E cada uma tem seu raio de luz
E sua história
Desfazem no ar
Ou caem no chão
E vão encharcar raízes profundas
De árvores repletas de parábolas
E ninhos
Onde sob sua sombra
Vem descansar o leopardo
De olhar metafísico
Aquele que decifra os enigmas
Do necessariamente humano


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Vela em Chamas




Este vento quente que sopra
Meu semblante
Faz singrar a vela e
Seu almirante
Que cheio de esperança
Destrança a trança de cabos
E alça vôo
Recolhendo ancoras e deixando
Alguns pretéritos
Algum amor no cais
Entreabre um espumante
Numa concha ou
Numa taça de cristal derramam
Gotas de cristais

A nave jaz
Seguindo o roteiro como um albatroz
Veloz vai
Assaz
Como uma gaivota que se desligou
Do bando
E debandou
Agora não come somente sardinhas
Mas pedaços de estrelas
E tanto azul do céu


segunda-feira, 22 de junho de 2015

A Mosca Azul




Não vou te matar
Oh mosca
Vem de pré-históricas larvas
Lavas de vulcões
Chuvas de meteoros
Sopas de amônias
O sol na medida certa
Medido com compasso no infinito
Espaços
De infinitas estrelas que começo
A contar
E não sei quando vou terminar
Tantos eclipses de luas
E você vem de lá mosca
De tantos globos oculares
Sentar no meu pão
Parábola do meu dia fatigado
Sobrevoar o meu leite
Metonímias do meu gado
Estou cansado de mortes
Não vou te matar
Pode se lambuzar no meu mel
Eu compartilho contigo o meu céu
Azul
Pode zumbizar
Cuidado apenas com aquela plantinha
Seu perfume é mortal
Ela é uma planta com instinto animal
Tem estranhas vísceras
E mandíbulas afiadas
E não tem o coração de poeta

Tomando chá com torradas

domingo, 14 de junho de 2015

Ser poeta


Faço poemas por que sou poeta
E nada mais sei fazer
Senão como uma cigarra reluzida
De verão
Uma formiga uma enxada e um pilão
E este luar do sertão
Verso que não é meu
O poeta me emprestou
Nessa solitária imensidão
Nordeste que não foi acesso
Apenas no luar e nas fogueiras
De São João
Teve Lamparina Corisco e Lampião
Mais tem Cancão sabiá patativa
E corrupião
Tem Conselheiro e o belo arraial
De Canudos
Com seu pão e terra repartidos
Para todos
A parábola da semente de trigo germinada
O milagre da criação
O exercito da República Federativa do Brasil
É vencida pelo exercito do Senhor
Armados com seus terços e bacamartes abençoados
O poeta mergulha na palavra
Com certeza se afogando
Ficando sem ar
Quase perdendo a respiração
Mas a traz para o verso
E a diz nos acordes da viola
A pérola rara
Que quase mata a ostra
Agora jaz bivalve
Numa praia do Ceará
Enquanto que  a pérola brilha
Num colar
Num lindo pescoço de uma donzela
Mas um hippie ajuntou estes búzios
E fez uma mágica mariposa
E de uma de suas asas
Fez um brinco pra ela
O poeta vive por ai
Brincando com as luzes
Que caem de suas pálpebras
Nunca estudaram o arco-íris
Sempre penso que Spinoza
Fora condenado por ter estudado
O prima na sua natura
O arco-íris nos céus
E nas pálpebras também
Não conhecem seus poemas
Nem a equação
Que ele traz