Faço poemas
por que sou poeta
E nada mais
sei fazer
Senão como
uma cigarra reluzida
De verão
Uma formiga
uma enxada e um pilão
E este luar
do sertão
Verso que não
é meu
O poeta me
emprestou
Nessa solitária
imensidão
Nordeste que
não foi acesso
Apenas no
luar e nas fogueiras
De São João
Teve Lamparina
Corisco e Lampião
Mais tem Cancão
sabiá patativa
E corrupião
Tem
Conselheiro e o belo arraial
De Canudos
Com seu pão
e terra repartidos
Para todos
A parábola
da semente de trigo germinada
O milagre
da criação
O exercito
da República Federativa do Brasil
É vencida
pelo exercito do Senhor
Armados com
seus terços e bacamartes abençoados
O poeta
mergulha na palavra
Com certeza
se afogando
Ficando sem
ar
Quase perdendo
a respiração
Mas a traz
para o verso
E a diz nos
acordes da viola
A pérola
rara
Que quase
mata a ostra
Agora jaz
bivalve
Numa praia
do Ceará
Enquanto que a pérola brilha
Num colar
Num lindo
pescoço de uma donzela
Mas um
hippie ajuntou estes búzios
E fez uma mágica
mariposa
E de uma de
suas asas
Fez um
brinco pra ela
O poeta
vive por ai
Brincando com
as luzes
Que caem de
suas pálpebras
Nunca estudaram
o arco-íris
Sempre penso
que Spinoza
Fora condenado
por ter estudado
O prima na
sua natura
O arco-íris
nos céus
E nas pálpebras
também
Não conhecem
seus poemas
Nem a equação
Que ele
traz