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sexta-feira, 28 de julho de 2017

...

Escrevia sonetos
Versos de muitas articulações
Catava o que podia das estrelas bilacquianas
Das imensas constelações
Fazia versos em branco
E com estranhos sinais
Gostava de fazer versos
Nos dorsos das folhas mortas
Nas vértebras
Nas sílabas nasais
Assaz
Ainda não aprendi escrever canções
Em partituras
Meu alaúde sempre me ilude
Com seus sons
Até minha flauta ressalta
Aquela poesia do Lorca
Aquela do Neruda
Vale a pena declamar um Gullar


                                                       Luiz Alfredo - poeta


segunda-feira, 5 de junho de 2017

noturno

Meus olhos taciturnos
Mesmo assim acedem algumas
Estrelas
Acendem caldas de alguns cometas
Vagas-lumes
Neste caminho tenebroso
Noturno
Com meu fósforo acendo
Um poema do velho poeta de Russas
E assim a noite me leva
A nenhum lugar algum
A vida dilacera minhas artérias
Mas meu coração bebe os orvalhos
Das flores sem nomes
Cai uma tênue garoa
E eu recito um Byron
Uma ruma e insetos fazem
A orquestra
Meus olhos que nunca foram
Meus
Foram dos cogumelos encantados
Das flores proibidas
Agora são lentes implantadas
Mas estão cheios de lembranças
Paixões
Absintos
Doces pontiagudos
Mas agora enxergam a escuridão
Meu coração palpita
E grita para os corvos
Que sou um espantalho
Mas trabalho cada grão
Do poema
E com minha foice
Corto as dificuldades da vida
E planto crisântemos e margaridas
Para agradecer a terra
Agora vou esperar o sol
E o bem-te-vi
Depois vou dormir na minha
Poltrona com os percevejos


quinta-feira, 18 de maio de 2017

ave soa

A gaivota escreveu com seu negro
Bico
Uma partitura poética
Deixando aquele verso  silencioso
Na solidão azul do céu
Bramindo nas águas verdes do

Mar 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ave Deus

mais um AVC
o último haverá de ser
veio pra matar
mais sobrevivi
e a vida continua linda

estive desconectado
com p BLOG
mais estou aqui

quinta-feira, 23 de março de 2017

Chuck Berry
Etrawberry field forever
Marcaram minha vida
E da do meu Fusquinha azul

Foi estranho
Aquelas flores saíram
Dos poemas de Baudelaire
E foram exalar seus hálitos
De absinto
E estramônio
Dentro de mim

Walt Whitman
E Lorca
Gritam poeticamente
Pelo conceito de Liberdade
Tomar sol
Beber as ondas do mar
Com os olhos
E viver com o Coração

Aquele guarda
Parecia o Belo
Abordou-me
Perguntou se eu tinha
Cannabis
E pediu os documentos

A vida é uma margarida
Mas pode perder as pétalas
Numa bala perdida
Numa batida
Pode ser despetalado
Como um mal-me-quer
Por causa de uma mulher

O poeta morreu
Mas deixou sua epigrafe
No seu túmulo de mármore
Que a lua vem de vez em quando
Vem lê-lo

Um besouro bebe
O néctar de uma papoula
Vermelha
Depois vem um beija-flor
Ainda sou mui feliz
Ganho minha vida
Com os versos que fiz
E com um pedaço de giz


Chuck Berry - Johnny B. Goode (Live 1958)

Roll Over Beethoven - Chuck Berry LIVE