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domingo, 3 de março de 2019

mal-me-quer


Mal-me-quer

Despetalei um mal-me-quer
Fiz um soneto de pétalas
Queria ser um Mallarmé
Ser lido por cada uma delas

Um soneto de orvalhos
Com os raios do luar
Caí gotas dos galhos
Conjugo o verbo amar

Vem a negação do não
O positivo do sim
Advérbio de negação

Vem o amor até que no fim
Pétalas dizem sangrando
Que se pode amar enfim

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Esquinas de PV


Cuidado que naquela esquina
Tem o sorriso da mina
Bela e traquina
A ladeira que me leva pro lado
De cima
A avenida que nunca termina
Os versos recitados cantados
Pichados
Do Binho
Bahia
E do Mado...
Tem o tacacá com murupi
Jambu e tucupi
O Bairro Caiari
Tucumã
A vila Tupi
O bardo Tupinambá
O bando alvoroçado de araras
E o balé das andorinhas
O emoliente dormente caliente
Tacacá
Os acordes dolentes do Bado
A cá saudade do sanhaçu
Peito-roxo
O canto da sabiá
Azulão sanhaçu
O doce de cupuaçu
O arrulho do nambu
Do jardim de bambu
Ipê roxo
O canto da juriti
O campo úmido de buriti
Saudades de ti
Meu Porto Velho
Maria Fumaça
Que vem e que passa
Para Guajará-Mirim
Ai de mim
Pobre poeta no vão
De galáxias
Uma crônica do Basinho
Uma música do Laio
Um barzinho
A branquinha tatuzinho
De soslaio olho este arrebol
Do mirante
Por um instante o sol de Calama
Aquela cunhã
A sapecada curimatã
afã
O translúcido esverdeado lago
Do cuniã
Trago o sonho da doida manhã
Rede de tucum
Enrolando um
Um té de mate
De arremate uma pamonha
Uma...
Torradas com geléia de avelã
Cuia de açaí patuá
Pupunha e tucumã
Ainda não sei viver sem você
Minha PV...
Nem sei quando ainda
Vou te ver
Mas levo tuas lembranças
No meu melancólico coração
Alto do Bode
Vê se pode
Baixa da União
Ramal São Domingos
Cai n’água
Rua do Coqueiro
Três bueiros
Rio Madeira
Mucambo
Travessa Mamoré
Igarapé Grande
Triangulo muito blues
Carimbos boleros mambos
Biribas jambos
Sonho Azul

E no meu doce viver...
Vou levando você







quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Lembranças Líricas






Bilac das janelas falando com as estrelas
Castro Alves ouve as o sangrento oceano
Gregório ri e debocha do império insano
Andando na corte e fazendo versos pra elas

Álvares de Azevedo tal amor é engano
Insone sonha com a irmã e com as donzelas
Apaixonado embriagado bardo profano
Musas imaginárias pálidas singelas

Casimiro de Abreu curumim leviano
Junqueira Freire amando ávido pensa nelas
Sou andarilho levando este meu alude cigano

Antigas cantigas andanças e quirelas
Aguardentes absinto conhaque e cinzano
Perambulando breus asfaltos paralelas

                   Luiz Alfredo - poeta





quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

...


Um soneto sem rima
Sem métrica irregular
Concreto ainda por cima
Metafísico a pensar

Unicórnio sem crina
Hipocampo a cavalgar
Lusitano sua sina
Além do rio e verde mar

Declamado por cima
Latinizado bardo ioruba
Antiga torre em ruína

Português a declinar
Trazendo de lá pra cá
Comungando um tacacá

                       Luiz Alfredo - poeta






domingo, 23 de setembro de 2018

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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

....

eu bebo na cuia tupi
algumas palavras
engulo um larva
e vomito uma borboleta
o céu azul
as nuvens brancas
e um soneto de Espanca
e o bramido e a maresia
de verde mar de Alencar
as velas do Mucuripe acendem o sol
alçam seu lençol
e vão pescar
depois voltam cherios
de sonhos

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

sonetos ao acordar


Nem bem amanhecia o dia
A cotovia assobia ainda na maresia
Os filamentos em passamentos
Meu coração dormia

Meu poema debaixo do abajur
Faltavam alguns versos
Eu não sabia o que dizia
Ouvia-se o canto da nambu

Meu olhar abúlico se abria
O luar ambarino desaparecia
Na cômoda um profundo haicu

Eu nem sabia nada do que lia
O céu começava a ficar azul
Entre as frestas da janela eu via


                            Luiz Alfredo - poeta