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domingo, 13 de outubro de 2019
sábado, 21 de setembro de 2019
desvairados
Amanheceu poema
E terminou
numa vela macabra
Numa chama
que se apagava
Aos poucos
Num pavio
sombrio ambarino
Sombrio
Queria ser
poeta arcaico
Cuidar de
ovelhas cabras
Nadar naquela
lagoa esverdeada
Mas seria um
patinho feio
Entre aqueles
marrequinhos multicoloridos
Quem sabe
viraria um cavalo marinho
Ou de
permeio uma libélula
Fazia um
pouco de frio
Folhas se
desprendiam das árvores
E caiam
mortas no chão
Cogumelos nasciam
nas árvores apodrecidas
Orquídeas adornavam
as que cresciam
Lagartas saiam
das suas metamorfoses
Criavam asas
e iam conhecer o infinito
O sol ia
bebendo os orvalhos das flores
E abrindo as
trilhas da floresta
E eu com
minhas mãos trêmulas
Óculos embaçados
pestanas sonolentas
Escrevia poemas
desvairados
Um bardo de
alaúde desafinado
Tomava um
chá de pétalas frio
E os poemas
destinados
Eram perdidos
pelo chão
Na lata de
lixo
Agora sem
agasalhos olhava os pássaros
Que cantavam
nos galhos
O vento soprava
seus acordes nos orifícios
Do bambu
Fiz até um
soneto
Um haiku
O céu agora
estava azul
Mas eu
estava deprimido
Tomei um
comprimido
Olhei para o
meu velho mido
Escutei o ruído
do beta
Queria sua
ração
Voltei pra
sala e desliguei o computador
Estava passando
o sono
As vertigens
a dor
Estava voltando
a ração
Bati umas
clorofilas com camomilas
No liquidificador
Acendi o
televisor
Mas nem
olhei pro visor
Sentei-me no
sofá
E comecei a
delirar a sonhar
E abri bem
os olhos
E comecei a
ler um Zola
E sem demora
dei uns goles
No suco
Comi uma
colherzinha de aveia
E fiquei ali
observando uma aranha
Fazendo sua
teia
Para pegar
sua ceia
Na televisão
passava o Japão
E seu eletrônico
arpão
Matando baleias
Eu até olhei
para os meus caniços
E pensei
deixa as sardinhas pra lá
Elas querem
é viver comer e nadar
Não querem
ser enlatadas
Nem ir para
a frigideira
Vou pescar
poemas na estante
E num
instante esta lendo
Um Manuel
Bandeira
Queria ser
era magro tal o Gullar
E fazer uma
escansão num quarteto
Depois ir
escrever poemas na praia
Com José
Anchieta
E se a maré estivesse
cheia
Escrever versos
no meu maldito
Diário
Ou em folhas
mortas
Não faço
versos pra que alguém
Os leia
Faço poemas
pra mim
Meu beta e
camaleão
Até eles
ficam puto quando
Eu os
declamo pra eles
Aedo
Lobovsly
sábado, 6 de julho de 2019
houve um tempo
Houve um tempo que meu amigo era uma garrafa
De conhaque
Uma caixa de cigarro Calton
Uma vitrola amarela arranhada
Rolando um Pink Floyd
Houve um tempo que passeava pelo cemitério
Sentava no túmulo de Vespasiano Ramos
E declamava os sonetos de Cousa Alguma
Clareado pelas velas que derramavam sua cera
Macabra
Por um luar ambarino perpassado por nuvens escuras
Penumbras sombrias
Estrelas apagadas
Perambulava solitários por ruas de filamentos apagados
Escuros muros pichados de riscos loucos
Sentimentos de bardos embriagados
Por poemas soturnos
Noturno sorumbático lunático
A donzela que eu amava sonhava gamava
Nem olhava pra mim
As flores do jardim derramavam nos seus orvalhos
Que eram minhas lágrimas
Sonhava profundos devaneios pesadelos paranóias
Meus poemas de cabeceira
Eram pedaços de versos de
Byron
E Álvares de Azevedo
Um Abajur quase apagado por mariposas
Impertinentes
Uma faca amolada na bainha
Um estojo amassado de barbitúricos
Um cinzeiro
Um velho isqueiro zipo
Uma Mariajuana proibida dada uns pau
Meio copo de água
Houve um tempo de madrugadas
Levadas pela fumaça dos cigarros
Pelos goles de gim
Por acordes de um violão apaixonado
Versos inacabados
Realejo mal soprado
Sol que assustava meu vampiro
Luar que iluminava minha desesperança
E deixava meus poetas mui locos
Meus versos incoerentes
Meus bolsos sem documentos
Minha vida um barco sem velas
Um mar de ondas bravias
Sem albatrozes e farol
Uma rua que não me levava a lugar nalgum
Luiz
Alfredo - poeta
domingo, 16 de junho de 2019
apenas poesia
Fazer poesia pra tocar por pão
Pedaços de metal
Vinténs
Não
Fazer poesia para alimentar a alma
E o coração
Ser poeta não apenas por ensino
De UF
Academias
Pelo ensino
Mas por destino
Escrever nas folhas mortas da vida
Na tela da mente atordoada
Por alcalóide
E pela própria vida
Não pelo a escola
Mas pela viola ávida de cantos
Seguir meu destino de trovador
Sem pátria
Sem fronteiras
Sem amor
Apenas ser pássaro osculando
Versos para a lua
Para o sol
Para flor
E para Deus
sexta-feira, 14 de junho de 2019
manchado
Não gostei deste concreto
E terminei-o com cal
Ficou um poema manchado
E o grafite chateado...
quarta-feira, 6 de março de 2019
PVH
Sem Mellem
Sem alguém
Sem ti
Sem o Guarani
Sem as balas do Giuliano Gema
De hortelã
Anis
Sem o Cine Brasil
Depois um suco de cupu
No bar do Arara
Um guaraná Marau
Ou Tuchau
No Café Santos
Uma salteña no J. Lima
Sem o Resky
Um kibe no Almanara
A Bringite Bardor
Sem o teu amar
Um licor de jenipapo
Sem aquele papo no canto
Sem o teu encanto
A poesia do Bolivar
Sem aquele bar
As jujubas coloridas
O chiclete ploc
Suas figurinhas
Um sabor pregado
Nos dentes
Bolinhas no ar
Sem ti
Sem o gibi
Da Brotoeja
Arqueja meu pobre
Coração
O trem da EFMM
O filme acabou
Não tem mais bilheteria
O tempo passou
E não volta jamais...
Luiz Alfredo - poeta
domingo, 3 de março de 2019
mal-me-quer
Mal-me-quer
Despetalei um mal-me-quer
Fiz um soneto de pétalas
Queria ser um Mallarmé
Ser lido por cada uma delas
Um soneto de orvalhos
Com os raios do luar
Caí gotas dos galhos
Conjugo o verbo amar
Vem a negação do não
O positivo do sim
Advérbio de negação
Vem o amor até que no fim
Pétalas dizem sangrando
Que se pode amar enfim
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