Seguidores

domingo, 16 de março de 2014

Camaleão


Meu camaleão é um vegetal
Que aprendeu a se movimentar
Nas matas
Desprendeu-se das árvores
E das estrelas
Hoje apenas mora nas árvores
E a comer as estrelas
Com seus olhos de telescópio
De mil lentes

Sua raiz deixou as profundezas
Da terra
E aprendeu a escalar os céus
E a mora entre meus dicionários
O arco-íris ensinou-lhe
A se esconder das nuvens
Escuras
E das maldades dos homens
E não gosta dos meus poemas
Apaixonados

Mas nunca deixou de ser clorofila
E conversar com as orquídeas
Para elas conta seus íntimos
E desfolha seus labirintos
E a síntese de sua linguagem
Silenciosa

Os colibris tentaram ensinar-lhe
A voar
E a comer mel das flores
Mas a essência vegetal
Ainda esta entranhada
Em suas vísceras
E preferem comer as pétalas
Do sol
E beber as chuvas
Das tempestades que respinga
Nas vidraças

E gosta quando recito para ele
Algum poema barroco
E a se pintar com minhas tintas
Guache
E sombrear seu olhar
Com nanquim

                 


                  Luiz Alfredo - poeta

sexta-feira, 14 de março de 2014

A Poesia de Todos os Dias

                    


Aos poetas sem rotas definidas


Teu dia
É todo santo dia
Dia e noite
Mais as madrugadas
Insones

Minha poesia de todas
Ás horas
Que pulsa no meu ser
Há todos os instantes
Desde escuro amanhecer
Ao entardecer com lapsos
De cores fugazes

Até completa escuridão
Tateando as teclas negras
Bebendo as chamas do lampião
Tomando o leite parnasiano 
Da Via-láctea
Pássaro noturno sem planos
Entalando-me com o lirismo
Desta imensidão


                       Luiz Alfredo - poeta





















quarta-feira, 12 de março de 2014

Perfume Azul do Sol - Canto Fundo (1974)

)


Há dose de saudade
Que vem para nos rasgar
Por dentro
O Laio com seu acordes
Enluarados
O Oswaldo com seus versos
Porraloka
O Gera com seus pincéis
Ontológicos
O Binho com suas letras
Diversas
Ainda vem me matar
Com este LP
Música que marcou minha
Vida
Numa rua qualquer de Porto
Velho
Nos idos 1974
Chorei
Sou um pobre poeta
Que recolho palavras nas madrugadas
Até as mariposas comerem
As chamas da minha lamparina...
Amei poeta


          Luiz Alfredo - poeta

terça-feira, 11 de março de 2014

Abortovo





Estalei um ovo na frigideira

    A clara ficou mais clara

      A gema amarelou

        Um pintinho amarelinho

                          Abortou

             Ficou ali fritando

Piando no óleo quente


                  Luiz Alfredo – poeta


Terra da Poesia - Caminhos da Reportagem (+lista de reprodução)

)



Na terra dos poetas
Violeiros
E cantadores
A rima
Os repentes
Os acordes de repentes
Correm nas correntes
Nos corações apaixonados

São bardos desde
Que nasceram
Numa terra onde todo mundo
É poeta

Nasceram em cima
Da rima
Sabendo soletrar cada verso
Parecem que nasceram cantando
Como um sabiá

E quem não sabe
Começa aprender a cantar
A sextilha
O galope alagoano
E na beira do mar...



                Luiz Alfredo - poeta

quinta-feira, 6 de março de 2014

Interruptores submersos





Porto Velho
um cais
A lenda de
um velho
Agora um
caos
Uma
ferrovia extinta
Cachoeiras
eletrocutadas
Um rio
afogado em lágrimas
Mas o poeta
escreve seus versos
Num zoom de
uma fotografia
Captura tua
agonia

Mas o
filósofo que polia lentes
Tem razão
A natureza
é causa de si
E é
compreendida como existente
Na sua
profunda geometria
Conserta a
equação errada
Dos homens

Levou
tantas almas
Para
construir uma estrada
De ferro
A conquista
do oeste
Atingiu a
hileia ocidental
Depois que
nos acostumamos
Com ela
Teve um fim
fatal

Agora numa
pororoca
violentas
O rio
devora suas margens
Arrebenta
Suas
malocas ocas locas
Chora por
suas pedras negras
Explodidas
Afoga os
exoesqueletos
No plaino
abandonada
Da Madeira
– Mamoré
Dipétala o
Cai n’ água
Em profunda
dor

Linda Porto
Velho
Navego em
tuas ruas liquefeitas
Igara
igarapés aguapés
Sem os
balés do boto rosa
Sem os
cantos das tuas iaras


                     Luiz Alfredo - poeta










sábado, 1 de março de 2014

Acordes Part (idos)











Teus
acordes calaram
Mas continuaram
ecoando
                               silenciosamente
No meu melancólico
coração

Meus olhos
entristecidos
Com saudades
do teu violão
Em versos sustenidos
Violaram tuas
reminiscências
Cadencias
Eloquências
que solavam
A vida
Num banquinho
E seis
cordas retinidas

Em sonatas
madrugadas
Poemas pronunciados
em oração
Partituras num
doce catalão
Morreu também
teu violão
Ele era
entranhado no teu ser...


                                  Luiz Alfredo - poeta