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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Devir de uma lepidóptera
Na solidão
de uma longínqua
Lavoura
Latifúndio
demarcado por arames
Farpados
Que quase
tocam no céu azul
Uma lagarta
devora voraz
As folhas
de uma plantação
Grávida de
espigas douradas
Que as
retinas não conseguem
Vislumbrar
o fim
E vai
desenhando no esqueleto
Desnudo das
folhas
Sem
clorofilas
Sem almas
Sem vísceras
O plano de
voo
Da
borboleta azul
Luiz Alfredo – poeta
sábado, 25 de janeiro de 2014
Cio de Beija-Flores
Depois que entendi
Aquela
revoada
De colibris
Era uma
flor no cio
Luiz Alfredo – poeta
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Confidência de um portovelhense
A Carlos Drummond de Andrade
Por algum tempo vivi em Porto Velho.
Não nasci em Porto Velho.
Talvez por isso tornei-me abúlico,
macambúzio e estranho: de estanho.
Quase todo meu ser de cassiterita.
Esse fascínio por estrelas cadentes, fogos-fátuos
pirilampos incandescentes.
Que fazem da minha vida uma rocha dura.
Marcada de cicatrizes e queimaduras ardentes.
Sem poesia e sentimentos.
E essa refração que na vida é pura amargura
desesperança e solidão
o sonho de apaixonar-se, que me atormenta a vida
vem de Porto Velho, de seus blues azuis, sem amantes e sem
oceanos esverdeados.
E a sina dessa angústia existencial, que transformo em
canções,
é calorosa lembrança de portovelhense.
De Porto Velho trouxe os sonetos de Vespasiano Ramos e
Marcelino Bolívar que te oferto.
Esse ouro do Madeira e diamantes sujos da foz do Jaci -
Paraná.
Esperança mil da terra anil brasilis.
Esse quadro do arraial de São João da Rita Queiroz.
Esta pele de gato maracajá no chão da sala de jantar.
Esta vaidade, esta cabeça pensativa.
Tive jóia, tive rebanhos, possui terras.
Hoje sou servidor público federal da união
E Porto Velho é uma fotografia
envelhecida de uma antiga Polaroid
ultrapassada no porão.
Mas que saudade!
Luiz Alfredo – poeta.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Álbum Invernoso
Minhas
lágrimas
São as
lembranças dos invernos
Gélidos
Escuros
Sombrios
São as
chuvas que molharam
Os zincos
dos meus telhados
As pétalas
das minhas rosas
O umbral do
meu guarda-chuva
Meu coração
amargurado
São as
gotas tristes
Que guardei
Dentro da
minha retina
Agnóstica
Agora
escorrem
Pelos
cantos dos meus olhos
Molhando
minhas pálpebras
E pestanas
Algumas eu
recolho
No meu
lenço esgarçado
Encarnado
Desgastado
E eu as
guardo
No meu
bolso
Outras se
perdem
Com meu
barquinho de papel
Nos esgotos
ocidentais
Assais
E não
voltam nunca mais
Luiz Alfredo - poeta
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Um soneto interminável
Um cigarro
fumegando
No cinzeiro
Uma xícara
de café fumegando
No pires
Um tablete
de chocolate
Mordicado
Uma
lapiseira sonolenta
Num
tinteiro
Um vinil na
vitrola
Rola um
fado
Insano
lusitano profano
E um soneto
que espia
Na máquina
negra
De
datilografia
Sua última
estrofe
Soluça
Esfria
Balbucia
Pelo último
verso
Do último
terceto incompleto
Que o
coração do poeta
Não
terminou
Porque a
aurora adentrou
Pelos poros
da cortina
Abafando a
tênue chama
Da
lamparina quase sem querosene
E as
pálpebras do poeta sonolento
Entre os
sonhos
E as
vertigens...
Luiz Alfredo- poeta
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Arrogância da Alma
Vi meu
corpo bordado
Num espelho
Delineado pelo
tempo
Rasgado pelas
folhas
Do calendário
As marcas
das quedas
Cirurgias
Cicatrizes da
longa vida
Feridas que
nunca sararam
Rugas que não
suportaram
O tempo
Retinas cansadas
Que refletiam
a imagem
Um pouco
turvada
Lábios secos
que aprendeu
A engolir
as injustiças
Da vida
E agora
sabe conjugar
A pretérita
existência
Sem errar
as terminações
Cantar algumas
canções
E recitar
alguns versos
A balbuciar
orações
Porque agora
é hora
De se olhar
no espelho
E reconhecer
o quê o tempo
Escreveu na
pele
E na
nervura
A alma é incólume
ao espelho
E ao tempo
Tem uma arrogância
intolerável
De se
pensar eterna
E com isto
escapa da sua ótica
E acha até
que o espelho
É uma ilusão.
Luiz Alfredo - poeta
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